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Ciência
National Geographic Magazine  Portugal

National Geographic Magazine Portugal

Febrero 2020

National Geographic Magazine é uma revista única no seu género. Mais de 100 anos a publicar as explorações e descobrimentos dos seus cientístas, exploradores e fotógrafos. Mais de 100 anos mantendo-se fiel ao seu compromisso de velar pelos bens culturais, históricos, antropológicos e naturais do nosso planeta.

País:
Portugal
Língua:
Portuguese
Editora:
RBA REVISTAS PORTUGAL
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12 Edições

Nesta edição

3 minutos
quem decide o que é bonito?

QUANDO EU ERA JOVEM, tudo aquilo que eu e as minhas amigas considerávamos bonito era tudo aquilo que eu não era: altura, cabelo louro liso, olhos azuis. Queríamos parecer-nos com a Barbie da década de 1960. Com o rabo de cavalo louro e uma silhueta absurdamente inatingível. Todos os dias, o espelho mostrava-me um reflexo de como eu, e outras, falhávamos esse ideal. Como Robin Givhan escreve no ensaio desta edição, “durante gerações, a beleza exigia uma figura esguia, mas com seios fartos e cintura estreita. O maxilar tinha de ser definido e os malares altos e angulosos. O nariz deveria ser direito. Os lábios cheios, mas não tanto que chamassem em excesso a atenção. Os olhos, idealmente azuis ou verdes, grandes e brilhantes. O cabelo tinha de ser comprido, espesso…

25 minutos
redefinir a beleza

A MODELO SUDANESA Alek Wek figurou na capa de Novembro de 1997 da edição norte-americana da revista “Elle”. Como muitas vezes acontece no negócio da moda, esta foi uma produção global. Com a sua pele de ébano aveludada e um ligeiro vestígio de um penteado afro, Alek foi fotografada em frente de um ecrã branco e austero. O seu simples blazer branco, de Giorgio Armani, quase se fundia com o plano de fundo. Alek, porém, estava intensamente presente. Apresentava-se de pé, na diagonal em relação à lente, mas olhando directamente para esta com um sorriso agradável que lhe enchia o rosto e não era definido por planos e ângulos, mas sim por curvas distintamente africanas, doces e amplas. Alek Wek representava tudo o que as raparigas que costumam figurar nas capas de…

3 minutos
marcadas pela beleza

Há milénios que buscamos a beleza, aprimorando-nos e pintando-nos até alcançarmos um ideal mais desejável. Culturas de todas as épocas tiveram diferentes padrões de beleza feminina e inúmeros modos de alcançá-la, desde os cosméticos tóxicos cheios de chumbo do passado às injecções de botox do presente. No entanto, os padrões têm frequentemente os mesmos objectivos: atrair e conservar um parceiro; mostrar estatuto social, riqueza, saúde ou fertilidade; e, evidentemente, sentirmo-nos belas. ANTIGO EGIPTO 3100-30 A.C. 1. COSMÉTICA DRAMÁTICA Ambos os sexos usavam maquilhagem pesada nos olhos, tipicamente kohl, para escurecer e contornar as pálpebras, para fins religiosos e medicinais. Acreditava-se que este mineral escuro prevenia infecções oftalmológicas e afastava o mal e poderia ser complementado com pormenores verdes nas pálpebras. O uso de perucas com cabelo encaracolado ou entrançado também era popular. ROMA ANTIGA…

13 minutos
engenheiros e arquitectos da natureza

TODOS OS ANOS, COM A CHEGADA DA PRIMAVERA, os choupos-brancos (Populus alba) libertam a sua carga de sementes. Graças ao revestimento de penugem branca, dispersam-se pelo vento como flocos de neve. Essa poeira é constituída por filamentos leves e resistentes que permitem às sementes navegar pelo ar e germinar em solos distantes da árvore-mãe. Para muitos animais, como o chapim-de-faces--pretas, esta abundante matéria-prima é muito útil para a construção dos ninhos. Esta pequena ave de dez centímetros constrói um dos ninhos mais complexos da avifauna ibérica, algo que o naturalista Jordi Sargatal já observou várias vezes num território que conhece bem: o Parque Natural dels Aiguamolls de l’Empordà, uma das zonas húmidas mais importantes da Catalunha. “Os chapins-de-faces-pretas constroem o ninho em árvores perto da água, sobretudo salgueiros, e escolhem ramos…

3 minutos
o último navio negreiro

No passado mês de Maio, 400 anos depois de africanos acorrentados terem pisado pela primeira vez o solo da colónia inglesa de Virgínia, uma equipa de arqueólogos subaquáticos anunciou a descoberta, perto de Mobile, no Alabama (EUA), dos destroços carbonizados do Clotilda, o último navio negreiro conhecido a alcançar as costas dos EUA. Em 1860, 52 anos depois de os Estados Unidos da América proibirem a importação de escravos, um latifundiário abastado fretou a escuna e contratou o comandante para contrabandear mais de cem cativos para o Alabama, um crime então punível com a forca. Concluída a abominável missão, o navio foi incendiado para destruir as provas. Os cativos foram os últimos de um total estimado de 307 mil africanos escravizados e conduzidos ao continente americano entre o início do século…

2 minutos
comércio cruel

EM 1860, OS ESCRAVOS eram a base da economia norte-americana e tinham mais valor do que a totalidade do capital investido nas actividades industrial, ferroviária e bancária. O algodão representava 35 a 40% das exportações dos EUA, segundo Joshua Rothman, historiador da escravatura da Universidade do Alabama. “Os bancos de todo o mundo faziam aplicações no Alabama, no Mississípi e na Louisiana, investindo nas plantações, nos bancos dos estados do Sul e nos escravos, que podiam ser hipotecados”, afirma o investigador. Era proibido importar escravos para os EUA desde 1808 e, em 1859, o preço dos escravos domésticos disparara, reduzindo drasticamente os lucros dos donos das plantações e reforçando as reivindicações em prol da reabertura do tráfico. Um defensor acérrimo desta posição foi Timothy Meaher. Natural do Maine, filho de imigrantes irlandeses,…